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Lei Complementar Vigente

Lei Complementar nº 990/2021

Publicada em 16 de novembro de 2021

Dispõe sobre a instituição do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação do Distrito Federal e dá outras providências.

Texto oficial no SINJ-DF ↗

  1. §

    Art. 1º Fica instituído o Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – CACS-FUNDEB do Distrito Federal, nos termos do art. 34 da Lei federal nº 14.113, de 25 de dezembro de 2020 .

  2. §

    Art. 2º O CACS-FUNDEB é constituído por 14 membros titulares, acompanhados dos respectivos suplentes, observados os seguintes critérios de composição:

  3. §

    I – 3 representantes do Poder Executivo distrital, dos quais pelo menos 1 do órgão distrital responsável pela educação básica;

  4. §

    II – 2 representantes do Conselho de Educação do Distrito Federal – CEDF;

  5. §

    III – 1 representante da seccional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE;

  6. §

    IV – 2 representantes dos pais de alunos da educação básica pública;

  7. §

    V – 2 representantes dos estudantes da educação básica pública, dos quais 1 indicado pela entidade distrital de estudantes secundaristas;

  8. §

    VI – 2 representantes de organizações da sociedade civil;

  9. §

    VII – 1 representante das escolas indígenas, quando houver;

  10. §

    VIII – 1 representante das escolas quilombolas, quando houver.

  11. §

    § 1º Os membros de que tratam os incisos I e II do caput são indicados pelos respectivos dirigentes.

  12. §

    § 2º O membro de que trata o inciso III do caput é indicado pela entidade sindical da respectiva categoria.

  13. §

    § 3º Os membros de que tratam os incisos IV e V do caput são indicados pelos órgãos representantes do segmento, após processo eletivo organizado para a escolha dos indicados pelos respectivos pares.

  14. §

    § 4º Os membros de que trata o inciso VI do caput são indicados pelos órgãos representantes do segmento, após processo eletivo dotado de ampla publicidade, vedada a participação de entidades que atuem como beneficiárias de recursos acompanhados pelo conselho ou como contratadas da administração da localidade a título oneroso.

  15. §

    § 5º As organizações da sociedade civil a que se refere o inciso VI do caput:

  16. §

    I – são pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, nos termos da Lei federal nº 13.019, de 31 de julho de 2014 ;

  17. §

    II – desenvolvem atividades direcionadas à localidade do respectivo conselho;

  18. §

    III – devem atestar o seu funcionamento há pelo menos 1 ano contado da data de publicação do edital;

  19. §

    IV – desenvolvem atividades relacionadas à educação ou ao controle social dos gastos públicos;

  20. §

    V – não atuam como beneficiárias de recursos fiscalizados pelo conselho ou como contratadas da administração da localidade a título oneroso.

  21. §

    § 6º Os membros de que tratam os incisos VII e VIII do caput são indicados pela Secretaria de Estado da Educação.

  22. §

    § 7º A indicação dos representantes referidos no caput para a nomeação dos conselheiros que atuarão no mandato seguinte deve ocorrer até 20 dias antes do término dos mandatos vigentes.

  23. §

    § 8º Os conselheiros devem guardar vínculo formal com os segmentos que representam, devendo esta condição constituir-se como pré-requisito à participação nos processos eletivos previstos nos §§ 3º e 4º.

  24. §

    § 9º São impedidos de integrar o CACS-FUNDEB:

  25. §

    I – os titulares dos cargos de governador, vice-governador e secretário de Estado, bem como os seus cônjuges e os seus parentes consanguíneos ou afins, até terceiro grau;

  26. §

    II – o tesoureiro, o contador ou o funcionário de empresa de assessoria ou consultoria que prestem serviços relacionados à administração ou ao controle interno dos recursos do Fundo, bem como os cônjuges e os parentes consanguíneos ou afins, até terceiro grau, desses profissionais;

  27. §

    III – os estudantes que não sejam emancipados;

  28. §

    IV – os pais de alunos ou os representantes da sociedade civil que ocupem cargos, exerçam funções públicas de livre nomeação e exoneração no Poder Executivo distrital ou a ele prestem serviços terceirizados.

  29. §

    § 10º Indicados os conselheiros, na forma dos §§ 1º, 2º e 3º, o Poder Executivo distrital designa os integrantes do CACS-FUNDEB.

  30. §

    Art. 3º O suplente substitui o titular do CACS-FUNDEB nos casos de afastamentos temporários ou eventuais dele, e assume a vaga temporariamente (até que seja nomeado outro titular) nas hipóteses de afastamento definitivo decorrente de:

  31. §

    I – desligamento por motivos particulares;

  32. §

    II – rompimento do vínculo de que trata o art. 2º, § 8º;

  33. §

    III – situação de impedimento prevista no art. 2º, § 9º, incorrida pelo titular no decorrer de seu mandato.

  34. §

    Parágrafo único. Na hipótese em que o conselheiro titular ou suplente incorra na situação de afastamento definitivo descrito no art. 3º, a instituição ou o segmento responsável pela indicação deve indicar novos representantes para comporem o CACS-FUNDEB.

  35. §

    Art. 4º O mandato dos membros do CACS-FUNDEB é de 4 anos, vedada a recondução para o próximo mandato, e é iniciado em 1º de janeiro do terceiro ano de mandato do chefe do Poder Executivo.

  36. §

    Art. 5º Compete ao CACS-FUNDEB, além das competências previstas na Lei nº 14.113, de 2020:

  37. §

    I – acompanhar e controlar a repartição, a transferência e a aplicação dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb;

  38. §

    II – supervisionar a realização do censo escolar e a elaboração da proposta orçamentária anual do Poder Executivo distrital, com o objetivo de concorrer para o regular e tempestivo tratamento e encaminhamento dos dados estatísticos e financeiros que alicerçam a operacionalização do Fundeb;

  39. §

    III – examinar os registros contábeis e os demonstrativos gerenciais mensais e atualizados, relativos aos recursos repassados ou retidos à conta do Fundeb;

  40. §

    IV – emitir parecer sobre as prestações de contas dos recursos do Fundeb, que devem ser disponibilizadas mensalmente pelo Poder Executivo distrital;

  41. §

    V – acompanhar a aplicação dos recursos federais transferidos à conta do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar – PNATE e do Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos – Peja, além de receber e analisar as prestações de contas referentes a esses programas, com a formulação de pareceres conclusivos sobre a aplicação dos recursos e o encaminhamento deles ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE;

  42. §

    VI – emitir parecer sobre:

  43. §

    a) projetos de leis orçamentárias dos recursos do Fundeb;

  44. §

    b) demais proposições legislativas que tenham impacto direto ou indireto nas despesas e receitas do Fundeb;

  45. §

    VII – outras atribuições que a legislação específica eventualmente estabeleça.

  46. §

    § 1º O parecer de que trata o inciso IV deve ser apresentado ao Poder Executivo distrital até 30 dias antes do vencimento do prazo para a apresentação da prestação de contas junto ao Tribunal de Contas do Distrito Federal.

  47. §

    § 2º A fiscalização e o controle do cumprimento do disposto no art. 212-A da Constituição Federal e nesta Lei Complementar, especialmente em relação à aplicação da totalidade dos recursos do Fundo, são exercidos pelo CACS-FUNDEB.

  48. §

    Art. 6º O CACS-FUNDEB não conta com estrutura administrativa própria, devendo o Distrito Federal, por intermédio da Secretaria de Estado da Educação, garantir a infraestrutura e as condições materiais adequadas à execução plena das competências do conselho e oferecer ao Ministério da Educação os dados cadastrais sobre a criação e a composição dele.

  49. §

    § 1º A Secretaria de Estado da Educação deve disponibilizar ao CACS-FUNDEB um servidor para atuar como secretário-executivo do conselho.

  50. §

    § 2º O Distrito Federal disponibiliza, em sítio eletrônico, as informações atualizadas sobre a composição e o funcionamento do CACS-FUNDEB, incluídas as seguintes:

  51. §

    I – nomes dos conselheiros e das entidades ou dos segmentos que representam;

  52. §

    II – correio eletrônico ou outro canal de contato direto com o conselho;

  53. §

    III – atas de reuniões;

  54. §

    IV – relatórios e pareceres;

  55. §

    V – outros documentos produzidos pelo conselho.

  56. §

    Art. 7º O CACS-FUNDEB conta com presidente e vice-presidente, ambos eleitos por seus pares.

  57. §

    Parágrafo único. Estão impedidos de ocupar a presidência e a vice-presidência os conselheiros designados na forma do art. 2º, I.

  58. §

    Art. 8º Na hipótese em que o membro que ocupa a função de presidente do CACSFUNDEB incorra em situação de afastamento definitivo, prevista no art. 3º, a presidência é ocupada pelo vice-presidente.

  59. §

    Art. 9º No prazo máximo de 30 dias após a instalação do CACS-FUNDEB, deve ser aprovado o regimento interno que viabilize seu funcionamento.

  60. §

    Art. 10. As reuniões do CACS-FUNDEB são realizadas:

  61. §

    I – ordinariamente, com periodicidade mensal e com a presença da maioria de seus membros;

  62. §

    II – extraordinariamente, mediante convocação do conselho pelo presidente ou por solicitação por escrito de pelo menos 1/3 dos membros efetivos.

  63. §

    Parágrafo único. As deliberações são tomadas pela maioria dos membros presentes e cabe ao presidente o voto de qualidade, nos casos em que o julgamento dependa de desempate.

  64. §

    Art. 11. O CACS-FUNDEB atua com autonomia em suas decisões, sem vinculação ou subordinação institucional ao Poder Executivo distrital.

  65. §

    Art. 12. A atuação dos membros do CACS-FUNDEB:

  66. §

    I – não é remunerada;

  67. §

    II – é considerada atividade de relevante interesse social;

  68. §

    III – assegura isenção da obrigatoriedade de testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício de suas atividades de conselheiro, e sobre as pessoas que lhes confiem ou deles recebam informações;

  69. §

    IV – veda, quando os conselheiros são representantes de professores, diretores ou servidores das escolas públicas, no curso do mandato:

  70. §

    a) a exoneração de ofício ou a demissão do cargo ou do emprego sem justa causa, ou a transferência involuntária do estabelecimento de ensino em que atuam;

  71. §

    b) a atribuição de falta injustificada ao serviço, em função das atividades do conselho;

  72. §

    c) o afastamento involuntário e injustificado da condição de conselheiro antes do término do mandato para o qual tenha sido designado;

  73. §

    V – veda, quando os conselheiros são representantes de estudantes em atividades do conselho, no curso do mandato, a atribuição de falta injustificada nas atividades escolares.

  74. §

    Art. 13. O CACS-FUNDEB pode, sempre que julgue conveniente:

  75. §

    I – apresentar ao Poder Legislativo local e aos órgãos de controle interno e externo manifestação formal acerca dos registros contábeis e dos demonstrativos gerenciais do Fundeb;

  76. §

    II – por decisão da maioria de seus membros, convocar o secretário de Estado da educação, ou servidor equivalente, para prestar esclarecimentos acerca do fluxo de recursos e da execução das despesas do Fundeb, devendo a autoridade convocada apresentar-se em prazo não superior a 30 dias;

  77. §

    III – requisitar ao Poder Executivo as cópias de documentos referentes a:

  78. §

    a) licitação, empenho, liquidação e pagamento de obras e serviços custeados com recursos do fundo;

  79. §

    b) folhas de pagamento dos profissionais da educação, as quais devem discriminar aqueles em efetivo exercício na educação básica e indicar o respectivo nível, a modalidade ou o tipo de estabelecimento a que estejam vinculados;

  80. §

    c) convênios do Poder Executivo com as instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos que são contempladas com recursos do Fundeb;

  81. §

    d) outros assuntos necessários ao desempenho de suas funções;

  82. §

    IV – realizar visitas e inspetorias in loco para verificar:

  83. §

    a) o desenvolvimento regular de obras e serviços efetuados nas instituições escolares com recursos do Fundeb;

  84. §

    b) a adequação do serviço de transporte escolar;

  85. §

    c) a utilização, em benefício do sistema de ensino, de bens adquiridos com recursos do Fundeb.

  86. §

    Parágrafo único. Os conselheiros têm amplo e irrestrito acesso aos sistemas informatizados de gestão orçamentária, financeira, contábil e patrimonial do Fundeb.

  87. §

    Art. 14. Durante o prazo previsto no art. 2º, § 7º, os representantes dos segmentos indicados para o mandato subsequente do CACS-FUNDEB devem se reunir com os membros cujos mandatos estejam se encerrando, para transferência de documentos e informações de interesse do conselho.

  88. §

    Art. 15. Fica revogada a Lei Complementar nº 793, de 19 de dezembro de 2008 , e alterações posteriores.

  89. §

    Art. 16. Esta Lei Complementar entra em vigor na data da sua publicação. Brasília, 16 de novembro de 2021 133º da República e 62º de Brasília